sábado, 14 de agosto de 2010

Perguntas passíveis de resposta?


01. Qual a capital do estado civil?
02. Dizer que gato preto dá azar, é crime racial?
03. Com a nova Lei Ambiental, matar cachorro a grito passou a ser crime?
04. Pessoas de má fé são aquelas que não acreditam em Deus?
05. Quem é canhoto, pode prestar vestibular pra Direito?
06. Por música na secretária eletrônica, pode ser considerado “cantada” e, portanto, assédio sexual?
07. Quantos quilos emagrece, por dia, um casal que optou pelo regime parcial?
08. Tem algum direito a mulher em trabalho de parto sem carteira assinada?
09. A gravidez da prostituta, no exercício de suas funções profissionais, caracteriza acidente do trabalho?
10. Seria “patrocínio”, o assassinato de um patrão?
11. Cabe relaxamento de prisão nos casos de prisão de ventre?
12. A marcha processual, tem câmbio manual ou automático?
13. Provocar o Judiciário, é xingar o Juiz?
14. Se um motel funcionar apenas das 8h às 18h, podemos afirmar que ali só ocorrem transações comerciais?

domingo, 8 de agosto de 2010

"homicidium ex violentia emovere"

 
 O homicídio é um delito natural por excelência, pelo fato de tutelar a fonte de todos os interesses e direitos, qual seja, a vida humana extra-uterina (homo sapiens sapiens).
Uma das teses que amiúde desperta debates acalorados no Tribunal do Júri entre acusação e defesa é a do homicídio emocional (homicidium ex violentia emovere), que consiste em uma causa especial de diminuição de pena, também denominado homicídio privilegiado.
A figura do homicídio emocional tem assento no §1º do artigo 121 do Código Penal. É o caso em que o agente comete o crime sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida à injusta provocação da vítima.
São, pois, os requisitos desse crime: a) provocação injusta da vítima; b) dominação por violenta emoção; e c) reação imediata.
Em decorrência disso, estar-se-á diante da figura do homicídio emocional, no caso em que o agente atua movido por incontrolável instinto de agressão, decorrente de dominação emocional súbita e intensa (emoção-choque), que o faz reagir sine intervallo à provocação sem justificativa razoável da vítima (leia-se: atitude desafiadora, consubstanciada em ofensa, ato de desprezo, insinuação, humilhação, zombaria, reticência, exercício abusivo de direito etc.), matando-a.
Assim, estar sob o domínio de violenta emoção equivale a uma tempestade mental que aniquila a capacidade de raciocinar e de se conter, ou seja, é a privação momentânea dos sentidos (vulgo "perder a cabeça"). É um tornado, uma chuva torrencial, que devasta o psíquico humano.
É fácil de ver que não basta ao agente estar emocionado, irritado, raivoso, investido de mera perturbação emocional (emoção comum) ou simples exaltação dos sentidos, mas dominado pela emoção (choque emocional), desequilibrado psiquicamente, em que a consciência reflexiva e o autocontrole sejam anulados por força da injusta provocação da vítima.
A título de ilustração, são os casos em que um cônjuge flagra o outro em estado de adultério ou o pai que recebe a notícia de que a filha acabara de ser estuprada. Assim, não aproveita do privilégio aquele que reage friamente, emocionado, em razão de dissabores sociais ou discussões banais. Não se pode confundir violenta emoção com vingança, que advém do ódio não esquecido, do rancor latente ou do aborrecimento concentrado. Deve haver, por consequência, necessária proporcionalidade entre a provocação e a emoção dominante da ação criminosa.
Não bastasse isso, a reação à injusta provocação da vítima deve ser logo depois, de pronto, sem intervalo, imediatamente, incontinenti, instantaneamente, isto é, ex improviso. Melhor dizendo, é a sucessão imediata entre a provocação e a reação, ou seja, é a presença do binômio ataque-revide. Neste contexto, não se pode conferir à expressão logo depois qualquer extensão, sob pena de frustrar o conteúdo do instituto. Por isso, não há que se falar em homicídio privilegiado nos casos em que o agente colhe a vítima minutos depois da injusta provocação ou que se arma e sai em seu encalço ou que premedita o crime.
O legislador foi sábio: enalteceu o direito à vida ao prever a influência de violenta emoção como mera circunstância atenuante (artigo 65, III, "c", do Código Penal), reservando a causa de diminuição de pena do homicídio emocional para casos excepcionais, já que há patente diferença entre estar dominado pela violenta emoção e estar influenciado de violenta emoção.
Concluindo, a vida como bem mais caro do ser humano merece a máxima proteção do Estado e da sociedade, só podendo ser minimizada ou infirmada em casos excepcionalíssimos, respeitando-se, por conseguinte e rigorosamente, os requisitos legais, sem elastérios, interpretando-os de forma restritiva. Portanto, não se pode banalizar ou flexibilizar a aplicação de institutos jurídicos que têm o condão de excluírem, atenuarem ou minorarem a responsabilidade penal daquele que desrespeitou a vida humana, sob pena de desproteger esse superdireito, o alfa e o ômega dos demais direitos.


Escrito por:
César Danilo Ribeiro de Novais
Promotor de Justiça do Mato Grosso


sábado, 31 de julho de 2010

O que é Justiça?



"O que é justiça?
Qual é a intenção da justiça?
É fazer com que os culpados sejam condenados e os inocentes, libertados.
Simples, não?
Mas não tão simples.
Porém, é dever do advogado de defesa proteger os direitos constitucionais do indivíduo, como é dever da Promotoria defender as leis do Estado.
"Justiça para todos".
Só que temos um problema, sabem qual é?
Os dois lados querem vencer.
Ambos queremos vencer.
Independente da verdade.
independente da justiça.
independente de quem é culpado ou inocente. 
VENCER É TUDO!"


(filme Justiça para Todos)

quinta-feira, 29 de julho de 2010



"É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo. Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros." 
(Clarice Lispector)

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Nasce de você a revolução.



"É melhor atirar-se à luta em busca de dias melhores, mesmo correndo o risco de perder tudo, do que permanecer estático, como os pobres de espírito, que não lutam, mas também não vencem, que não conhecem a dor da derrota, nem a glória de ressurgir dos escombros. Esses pobres de espírito, ao final de sua jornada na Terra não agradecem a Deus por terem vivido, mas desculpam-se perante ele, por terem apenas passado pela vida."

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Faça com que a solidão não me destrua.

"Meu Deus, me dê a coragem de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites, todos vazios de Tua presença. Me dê a coragem de considerar esse vazio como uma plenitude. (...) Faça com que a solidão não me destrua. Faça com que minha solidão me sirva de companhia." (Clarice Lispector)



"Cheguei só, ao fim da linha, ao fim da vida; E agora? agora não me importa mais nada, já estou aos cacos mesmo..."

terça-feira, 13 de julho de 2010

Crimes Passionais





"O verdadeiro passional não mata. O amor é, por natureza e por finalidade, criador, fecundo, solidário, generoso. Ele é cliente das pretorias, das maternidades, dos lares e não dos necrotérios, dos cemitérios, dos manicômios. O amor, o amor mesmo, jamais desceu ao banco dos réus. 
Para os fins da responsabilidade, a lei condena apenas o momento do crime. E nele o que atua é o ódio. O amor não figura nas cifras da mortalidade e sim, nas da natalidade; não tira, põe gente no mundo. Está nos berços e não nos túmulos".


LYRA, Roberto. Como julgar, como defender, como acusar, p. 97.


segunda-feira, 12 de julho de 2010

 

Watch Over You

Leaves are on the ground
Fall has come
Blue sky's turning grey
Like my love

I try to carry you
And make you whole
But it was never enough
I must go

And who is gonna save you
When I'm gone?
And who'll watch over you
When I'm gone?

You say you care for me
But hide it well
How can you love someone
And not yourself?

And who is gonna save you
When I'm gone?
And who'll watch over you
when I'm gone?

And when I'm gone
Who will break your fall?
Who will you blame?

I can't go on
And let you lose it all
I'ts more than I can take
Who'll ease your pain?
Ease your pain...

And who is gonna save you when I'm gone?
And who'll watch over you?
And who'll give you strength when you're not strong?
Who'll watch over you when I'm gone away?

Snow is on the ground
Winter's come
You long to hear my voice
But I'm long gone
 
 
 
Cuidar de Você
 
Há folhas no chão
O outono chegou
O céu azul está se tornando cinza
Assim como o meu amor

Eu tento te levar comigo
E te completar
Mas isso nunca foi o bastante
Eu devo ir

E quem vai salvar você
Quando eu me for?
E quem vai cuidar de você
Quando eu me for?

Você diz que se importa comigo
Mas esconde isso muito bem
Como pode você amar alguém
E não a si mesmo?

E quem vai salvar você
Quando eu me for?
E quem vai cuidar de você
Quando eu me for?

E quando eu me for
Quem vai aparar suas quedas?
Quem você irá culpar?

Eu não posso prosseguir
E deixar você perder isso tudo
É mais do que posso agüentar
Quem vai confortar sua dor?
Confortar sua dor...

E quem vai salvar você quando eu me for?
E quem vai cuidar de você?
E quem lhe dará força quando você não a tem mais?
E quem vai cuidar de você quando eu tiver ido embora?

Há neve no chão
O inverno chegou
Você deseja ouvir minha voz
Mas eu parti há muito tempo

domingo, 4 de julho de 2010

Os Dois Horizontes


Dois horizontes fecham nossa vida:
Um horizonte, — a saudade do que não há de voltar;
Outro horizonte, — a esperança dos tempos que hão de chegar;
No presente, — sempre escuro, — Vive a alma ambiciosa,
Na ilusão voluptuosa;
Do passado e do futuro.
Os doces brincos da infância,
Sob as asas maternais,
O vôo das andorinhas, a onda viva e os rosais;
O gozo do amor, sonhado,
Num olhar profundo e ardente, tal é na hora presente,
O horizonte do passado. Ou ambição de grandeza
Que no espírito calou, desejo de amor sincero,
Que o coração não gozou;
Ou um viver calmo e puro,
À alma convalescente, tal é na hora presente,
O horizonte do futuro.
No breve correr dos dias,
Sob o azul do céu, — tais são limites no mar da vida: Saudade ou aspiração;
Ao nosso espírito ardente, na avidez do bem sonhado,
Nunca o presente é passado, nunca o futuro é presente.
Que cismas, homem? – Perdido no mar das recordações, escuto um eco sentido,
Das passadas ilusões.
Que buscas, homem? – Procuro, através da imensidade, ler a doce realidade,
Das ilusões do futuro. Dois horizontes fecham nossa vida.


Machado de Assis, in 'Crisálidas'

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Há algo mais triste no mundo que um trem imóvel na chuva?

Será que os nossos sonhos estão dormindo num vagão qualquer de uma ferrovia abandonada? E a história que era nosso “trem riscando trilhos, percorrendo novos caminhos”, descarrilou e ficou enferrujando na chuva?
Sinceramente, não há algo mais triste que vermos nossos sonhos dormindo apagados num vagão de um trem imóvel na chuva. (...)